5 lições de Muhammad Ali para o mundo das lutas

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May 17, 1967: Muhammad Ali punches the bag. (Miami News photo)

Muhammad Ali se foi. Não dá para dizer que é uma surpresa, depois de tantos anos lutando contra o Parkinson. Mas, não importa. A dor e a perda são irreparáveis para o mundo das lutas. Por outro lado, o legado é tão extenso, que a lenda do maior nome da nobre arte nunca se apagará. Tampouco as lições que ele deu para o mundo do MMA – e das lutas em geral.

Ali pode/pôde comemorar ter sido homenageado em vida. Não foi preciso sua morte para que se soubesse o quão grande se tornou aquele garoto que quase não foi às Olimpíadas por medo de avião e virou um dos maiores campeões da história. Eu mesmo pude prestar a minha homenagem, dedicando a ele um capítulo do livro que escrevi com o amigo Bruno Freitas sobre boxe, Em 12 Rounds – nele, contamos sua visita ao Brasil para uma exibição nos anos 1970.

Lendas não morrem, e as lições de Muhammad Ali também não.

1. O trash talk e como conquistar a mídia e o público
Esqueça Conor McGregor, Chael Sonnen. Eles são fichinha perto do que Muhammad Ali era no seu auge. E nem precisava apelar para preconceitos ou xenofobias. Claro que algumas vezes ele acabava com seus rivais nas palavras, mas boa parte das suas provocações tinham como objetivo não diminuir o outro, mas aumentar a si próprio. Com suas falas e seu mantra ”I’m the greatest”, ele reforçou o que se via no ringue, que ele era o melhor. E, com o pacote completo de ser um gigante do esporte e um dos atletas mais midiáticos da história, fez sua história transcender o quadrilátero para transformá-lo numa lenda.

2. Racismo. Não.
O boxe sempre rompeu as barreiras da raça e da ordem social, já que boa parte dos ídolos da nobre arte vieram de baixo. Ali foi um dos símbolos dessa luta, e em um dos momentos mais importantes da luta contra o racismo. Ele viveu histórias marcantes, como a em que, já como medalhista olímpico, foi impedido de comer em restaurante por ser negro e, decepcionado com o que estava vivendo no país em que deveria ser tratado como herói, jogou sua medalha em um rio. Sem ele, a batalha que persiste até hoje contra o racismo ainda estaria uns bons degraus para baixo, inclusive no esporte e nas lutas.

3. Tática – e quando o melhor ataque é a defesa
Dentro do ringue, Ali se destacou por ser um peso pesado ágil e técnico. Não à toa consagrou a frase: flutua como borboleta, ataca como abelha. Mas um de seus grandes feitos foi a estratégia da luta de 1974, no Zaire, contra George Foreman. A tática do rope-a-dope consistiu, basicamente, em apanhar até o rival cansar, apoiado às cordas, para transmitir a elas a força dos golpes de seu oponente. Quando Foreman morreu no gás, Ali atacou a e conseguiu seu nocaute. Portanto, tática e estratégia ganham lutas. E muitas – ainda que não seja nada recomendado tomar tantos golpes como ele tomou na Rumble in the Jungle.

4. Caiu, levantou
Muitos tentaram impedir Ali de seguir em frente com sua carreira. O caso mais emblemático foi quando ele chegou a ser preso e impedido de lutar por ter se recusado a servir no exército dos EUA. Dos 25 aos 28 anos, época de auge físico para muitos, ele não pôde entrar no ringue. E ainda assim não desistiu. Voltou em 1970 para seus momentos mais gloriosos. Nem a derrota para Joe Frazier em 1971, acabando com sua invencibilidade, impediu o pugilista de atingir o estrelato. Muito pelo contrário, os tropeços ajudaram em sua evolução.

5. O rei da motivação
São incontáveis as frases de efeito que Muhammad Ali soltou na carreira. Ele não virou um exemplo só para o esporte e para as lutas, mas é citado frequentemente por motivadores do mundo dos negócios. Num esporte individual, com riscos para a própria saúde e em que a pressão é tão grande em torno de uma só pessoa, esse é um fator determinante: acreditar em si, ou ao menos ”se enganar” o suficiente para acreditar que pode ir além de seus limites.

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